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EDITORIAL

Nuno Miguel

 

Quem Somos?

 

Quem somos nós, os que nos reconhecemos na adictologia? Um conjunto de técnicos que ao longo dos anos foram descobrindo um conjunto de ideias que norteiam a sua prática.

A ideia de que o consumo não é um crime.

A ideia de que a toxicodependência é uma doença. A ideia da diversidade dos toxicodependentes.

A ideia de que há em todos ou em alguns toxicodependentes uma doença, uma fragilidade prévia aos consumos.

A ideia de que o tratamento da toxicodependência é um percurso longo.

A ideia de que esse percurso passa, frequentemente, por diversos instrumentos terapêuticos, envolvendo profissionais com diferentes formações.

A ideia de que o tratamento da toxicodependência é uma transformação pessoal.

A ideia de que a toxicodependência é uma doença do desejo e do prazer.

A ideia de que há explicações neurobiológicas hoje para o funcionamento que a clínica nos permitiu descobrir antecipadamente.

A ideia de que o alcoolismo partilha mecanismos da toxicodependência.

A ideia de que a toxicodependência e o alcoolismo são semelhantes a outra dependências sem substância.

A ideia de que o nome adicção representa melhor esta situação de doença.

A ideia de que o tratamento não pode constituir a única resposta social e sanitária.

A ideia de que o acolhimento e o aceitar tentar responder às necessidades realmente sentidas pelos dependentes ou adictos é uma obrigação social.

A ideia de que proteger sanitariamente e socialmente os que não têm desejo ou capacidade de parar os seus consumos é uma obrigação social.

A ideia de que o desejo de mudar não pode ser imposto, mas pode ser ajudado. A ideia de que não há caminhos formatados para ninguém.

A ideia de que a dependência ou adicção pode estar associada a outras doenças que têm que ser tidas em conta.

A ideia de que foi a criação de um serviço vertical no Ministério da Saúde que tornou possíveis as reflexões, os debates, as confrontações, as aprendizagens, as globalizações, as investigações que permitiram construir uma estratégia internacionalmente aplaudida.

Seremos capazes de tornar Adictologia um instrumento ao serviço destas ideias?

 


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