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Congresso Nacional de Adictologia

O Tempo e as Adições - Ligando a Ciência, a Clínica e a Política

19 e 20 de Maio de 2016 - Hotel Dona Inês - Coimbra

 

 

 

Prevenção dos Comportamentos Aditivos, o que há de novo?

Catarina Augusta Cunha Nabais Durão

Licenciada em Sociologia e Mestre em Administração e Gestão Pública.

Exerceu funções de Técnica Superior no Núcleo Distrital do Instituto Português da Droga e da Toxicodependência, de 2002 a 2005. Diretora da Unidade de Prevenção de Viseu do Instituto da Droga e da Toxicodependência, de 2005 a 2007. Desde 2007 que exerce funções de coordenação do Centro de Respostas Integradas de Viseu

Joana Gonçalves

Técnica Superior de Saúde, ramo de Psicologia Clínica na ARS Centro; Especialista em Psicologia Clínica; Mestre em Psicologia Clínica do Desenvolvimento; Aluna do Programa Doutoral em Gerontologia da Universidade de Aveiro e Universidade do Porto, estando em fase de conclusão da sua dissertação, Docente Convidada na Escola Superior de Saúde da Universidade de Aveiro (2003 a 2014).

Resumo - O CRI de Aveiro desenhou, implementou e avaliou um programa de prevenção indicada num grupo de utilizadores de cannabis, utentes da Consulta de Prevenção Indicada. Esta experiência piloto contou com a colaboração de um técnico de prevenção da DICAD e com o Departamento de Educação da Universidade de Aveiro. São apresentados os principais objetivos, metodologias, resultados, limitações e sugestões para uma implementação mais eficaz e eficiente deste tipo de intervenção.

Francisco de Assis Babin Vich

Licenciado en Medicina y Cirurgia por la Universidad Complutense de Madrid, diplomado en Gestión de Instituciones Sanitarias. Há desarrollado funciones de Subdirector General de Epidemiologia del Instituto de Salud Carlos III (Ministerio de Sanidad 1995-1999), Director General de Salud Pública (Comunidad de Madrid 1999-2004), Director General del Instituto de Adicciones de la Ciudad de Madrid (2004-2012). Desde enero de 2012, desempena el cargo de Delegado del Govierno para o Plan Nacional sobre Drogas de Espana, adscrito al Ministerio de Sanidad, Servicios Sociais e Igualdad.

 


 Organizações Não-Governamentais e Adições: a realidade atual e a evolução dos dispositivos

José Queiroz

Licenciado em Psicologia, com especialidade na área de Comportamento Desviante, pela FPCE-UP. Cofundador da APDES desempenhou desde a sua criação em 2004, funções de Coordenador-Geral e Diretor-Executivo.

No que concerne à temática das Drogas, destacam-se no seu percurso profissional as seguintes atividades e funções:

- Assento no “Fórum Europeu da Sociedade Civil sobre Drogas da Comissão Europeia”, que contribuiu para a definição da “Estratégia Europeia das Drogas e Plano de Ação 2013-2020”.

- Assento no “Comité de Nova Iorque de ONG para a Política de Drogas”, uma Plataforma internacional de interface e apoio às Nações Unidas para a temática Global das Drogas, entidade envolvida nas recomendações para a UNGASS 2016.

- Coordenador da Região Sul da Europa, da “Rede Europeia de Redução de Riscos”, desde 2010.

- Fundador e Coordenador do Comité Organizador da “1ª Conferência Internacional sobre Políticas de Drogas nos PALOP”, organizada em 2014 na cidade da Praia, Cabo Verde. Participaram cerca de 200 delegados, na sua maioria representantes governamentais.

- Coordenador do Comité Organizador e membro do Conselho Científico da “CLAT5 - Conferência Latino-Americana sobre Toxicodependências”, organizada no Porto em 2009, e que contou com a participação de cerca de 900 delegados.

Elsa Belo

Técnica Superior de Serviço Social, a trabalhar em Redução de Riscos e Minimização de Danos desde 1996, atual Diretora Geral do Programa de Substituição de Baixo Limiar de Exigência da Cidade de Lisboa

Resumo - Filosofia da Intervenção em RRMD no PSOBLE.

Necessidade de adaptação de estratégias e dispositivos às exigências da população alvo.

Importância da criatividade na evolução das respostas.

Estamos a fazer tudo o que é possível e necessário pelas pessoas que consomem substâncias lícitas e ilícitas, apesar de sermos apontados internacionalmente como inovadores e um modelo a seguir?

Américo Nave

Psicólogo. Associação Crescer na Maior

Sérgio Rodrigues

Presidente da 1º Associação de utilizadores e ex utilizadores de drogas em Portugal e única deste género, CASO – Consumidores Associados Sobrevivem Organizados.

Membro do GAT - Grupo Português de Activistas sobre Tratamentos de VIH/SIDA.

Educador de Pares da APDES – Agência Piaget para o Desenvolvimento na Equipa de Rua GIRUGAIA

 


Controvérsias nas Adições

Ana Alexandra Carvalheira

Investigadora no William James Center for Research e professora auxiliar no ISPA-Instituto Universitário. Psicoterapeuta e sexologista formada pela Sociedade Portuguesa de Sexologia Clínica, a qual presidiu em 2011/12. Doutorada pela Universidade de Salamanca, Pós-doutoramento no ISPA e noSexual Health Lab, na University of British Columbia, Vancouver, Canada, é Membro daInternational Academy of Sex Research. Autora de dezenas de artigos científicos em publicações internacionais.

Licínio Roque

Doutorado em Engenharia Informática pela Universidade de Coimbra desenvolvendo a "Engenharia do Contexto", uma abordagem sociotécnica à problemática do desenvolvimento de Sistemas de Informação, que encara o desenvolvimento como uma forma de engenharia social em que se criam ou destroem relações entre Humanos através de mediações tecnológicas. Actualmente Coordenador do Metrado em Design e Multimédia, dirige as unidades curriculares de Design da Interação, e Design de Jogos, orientando diversos trabalhos de investigação relacionados com a concepção de jogos e suas aplicações em aprendizagem, diagnóstico e estimulação, no Programa Doutoral em Ciências e Tecnologias da Informação na Universidade de Coimbra.

Resumo - Discutem-se aspectos da concepção de jogos, em particular de videojogos, com referência à sua história e enquadramento cultural. Procura-se colocar em evidência a abordagem que conduziu à industrialização do fenómeno jogo enquanto produto cultural e, os modelos que permitem tornar esta uma tecnologia persuasiva. Questiona-se a adição no contexto dos videojogos e fazem-se pontes com outras áreas como os jogos de casino e a gamificação das actividades do quotidiano.

 

Roma Torres

Psiquiatra. Serviço Psiquiatria Hospital de S. João. Porto

 


Atualidades e controvérsias em alcoologia: do dogma da abstinência ao consumo controlado

Gerardo Flórez Menéndez M.D

Especialista em Psiquiatria. Unidade de Comportamentos de Dependência. Hospital Universitário de Ourense

Resumo - Com base na experiência deste palestrante no tratamento de dependência de álcool, serão apresentados os aspectos médicos dos programas de redução de consumo de álcool, destacando sempre uma realidade clínica amplamente comprovada: a abstinência não é em si própria uma meta real e viável para todos os nossos doentes. Serão também analisadas as vantagens e desvantagens deste tipo de intervenção e como realizá-las com a devida qualidade assistencial.

 

Pilar Bermejo Gonzalez

Psicologa Clinica, Máster en Drogodependencias, Post-Grado en Terapia Familiar por la Universidad de Santiago de Compostela.

Directora de la Clínica de Psicología “PILAR BERMEJO GONZALEZ”, Supervisora-docente de la Escuela de Terapia Familiar “Loft Psicólogos. Espazo Clínico” desde 2007 hasta la actualidad, certificada por la FEATF Federación española de Asociaciones de Terapia Familiar) 

Evaluadora externa de proyectos de asistencia y prevención del plan nacional de drogas.

Directora de la Unidad Municipal de Atención a Drogodependientes (UMAD) de Santiago de Compostela (de 1986 a 2013), Supervisora-Docente de la Escuela de Terapia Familiar “Centro Libredón” en Santiago de Compostela (2003-2007)

Tutora de prácticas de alumnos MIR, PIR y tutora del Practicum de la Facultad de Psicología desde el año (1994-2013).

Expresidenta de la Asociación de Terapia Familiar de Galicia (ATFG) de 2000 al 2008,  Miembro de la directiva de la FEATF (Federación de Asociaciones de Terapia Familiar de España (2000-2008

Certificado de Participación Conferencia do Grupo Pompidou.

Participé como miembro de Expertos en el Comité para elaboración del anteproyecto de Ley de Galicia sobre Drogas,

Participación en la elaboración del Programa marco de Educación Familiar del IV Plan Integral de Apoio as Familias

PROYECTOS EUROPEOS

Studies meeting in frame of the institucional visit organised by the Social Services Department from the Council of Solna, Sweden. And that was hosted by the Social Department of Santiago de Compostela

Certificate of Participation in the partners`meeting in frame of the project "Look at Yourself- Parents towards situations causing aggression", that was organized by Educational Centre Taurus in Warsaw.

 

Resumo - Las políticas de reducción de daños y  minimización de riesgos han sido implementadas en las adicciones a drogas, principalmente en las adicciones ilegales, a través programas e intervenciones específicas con el objetivo de minimizar los riesgos de dicho consumo en los consumidores de dicha droga, dirigidas a los usuarios de drogas según sus necesidades, focalizando las intervenciones en las condiciones del uso de drogas

La consideración de la adicción a las drogas como fenómeno complejo y multifactorial,  reconoce que las realidades los consumidores de drogas es única, sus condiciones de uso  diferentes y  su vulnerabilidad y capacidad personal para manejar eficazmente el daño que les ocasiona.

Teniendo en cuenta todo ello, los criterios de implementación de estrategias e intervenciones terapéuticas y preventivas exitosas deberán estar basados, en la calidad de vida y el bienestar de las personas adictas y de la comunidad en la que viven y no necesariamente en el abandono del uso de la droga de la que es adicto.

La motivación al cambio y el enfoque contextual de la Psicología Clínica El tipo de relación igualitaria, flexible y participativa en la toma de decisiones entre el profesional y el usuario de drogas planteada por el modelo de reducción de riesgos y daños en el marco político y comunitario, es asumido y desarrollado desde la perspectiva asistencial de atención a las drogodependencias por modelos basados en el cambio de conductas son las estrategias a seguir.

Rui Moreira

Médico Psiquiatra, Chefe de Serviço, ex. Director do Centro Regional de Alcoologia Norte. Coordenou os trabalhos de investigação epidemiológica dos hábitos alimentares na população da região Norte sob a égide da Organização Mundial de Saúde. 

Director Clínico das Comunidades Terapêuticas do Meilão, Maia e do Serviço de Aconselhamento de Espinho. Terapeuta Familiar; Terapeuta Comportamental cognitivo. Três mandatos como presidente da Sociedade Portuguesa de Alcoologia, actualmente presidente do seu Conselho Científico 

 


 Comunicações Livres

Diogo Gonçalves-Ferreira

Interno de Psiquiatria do Hospital de Santa Maria; Assistente Livre de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa; Colaborador em grupo de investigação na área da estimulação cerebral profunda no Hospital de Santa Maria

Resumo - Introdução: Atualmente ainda não há nenhum tratamento específico para a dependência de cocaína refractária mas a existência de uma disfunção ao nível do circuito de recompensa cerebral, que inclui estruturas como o núcleo accumbens, o núcleo da stria terminalis e o ramo anterior da cápsula interna, parece ser responsável pelo desenvolvimento da dependência de cocaína refractária.

Objectivo: Apresentar o caso clínico de um estudo longitudinal realizado num doente com diagnóstico de dependência de cocaína refractária em que se utilizou no seu tratamento a técnica de deep brain stimulation, durante 30 meses.

Caso clínico: Doente do sexo masculino, 36 anos, com diagnóstico de dependência de cocaína refractária, realizou neurocirurgia para implantação de eléctrodos cerebrais bilaterais, por neuronavegação, ao nível do núcleo accumbens e do ramo anterior da cápsula interna. A estimulação com os eléctrodos, foi testada no bloco operatório, mas só começou no 5º dia pós-operatório, tendo sido mantida de forma contínua durante 9 meses para optimização dos parâmetros de estimulação. Posteriormente, e durante 9 meses, realizou-se estimulação aleatória em duplo-cego. Por último, na terceira fase, foi realizada estimulação prolongada contínua durante 12 meses. Durante os 30 meses do estudo foram avaliados regularmente parâmetros como: semanas livres de consumos, pesquisa de cocaína na urina e desejo de consumir cocaína e foram aplicadas as escalas VAS, Y-BOCS, CGI-S, CGI-I e CGI-TE.

Resultados: Verificou-se um aumento nas semanas livres de consumos (40,9% antes da cirurgia, 80,5% aos 6 meses pós-cirurgia e 68% aos 24 meses pós-cirurgia) e nas pesquisas de cocaína na urina (12,5% antes da cirurgia, 66,7% aos 6 meses pós-cirurgia e 56,5% aos 24 meses após-cirurgia). Houve uma redução do craving para cocaína (na escala VAS: 3,4 antes da cirurgia, 1,0 aos 6 meses pós-cirurgia e 0 aos 24 meses pós-cirurgia) e no desejo de consumir cocaína, bem como nas escalas Y-BOCS, CGI-S, CGI-I e CGI-TE.

Conclusões: A utilização da técnica de deep brain stimulation mostrou eficácia e segurança no tratamento deste doente com dependência de cocaína refractária, mantendo a eficácia terapêutica por um período superior a 2 anos e meio após a cirurgia.

 

 

João Barrocas

Psicólogo Clínico na Equipa Técnica Especializada de Tratamento do Barlavento da DICAD e no Grupo de Apoio à Saúde Mental Infantil do Centro de Saúde de Lagos - Administração Regional de Saúde do Algarve. Tem como principais interesses clínicos e científicos os seguintes: psicoterapia e psicologia clínica dinâmica, psicopatologia, parentalidade, envolvimento paterno, saúde mental infantil e comportamentos aditivos.

 

Resumo - Os pais (homens) dependentes de substâncias são uma das populações face às quais perdura um parco conhecimento do ponto de vista do funcionamento pessoal e parental. De facto, não só se carece de informação geral descritiva desta população, como a literatura dirigida para a toxicodependência foca sobretudo a gravidez e a maternidade. Não obstante, são claros e fundamentados os riscos físicos, psicológicos e sociais, para as crianças e para a parentalidade, no contexto da dependência de substâncias destes pais. Além disso, a perturbação da parentalidade neste contexto é de natureza multifatorial, importando o conhecimento de dimensões que possam constituir-se como fatores de risco/proteção. O presente estudo visa contribuir, assim, para o conhecimento de uma população pouco estudada e tem como objetivos: (1) caracterizar num grupo de pais (homens) dependentes de substâncias em tratamento em ambulatório (N=69; Midade=38.9 anos,DP=5.2) variáveis sociodemográficas, do consumo de substâncias(do próprio e na família de origem), e da saúde física; (2) comparar os níveis de sintomatologia psicopatológica entre um subgrupo de pais com dependência de substâncias que coabitam com os filhos (n=37;Midade=38.6 anos,DP=4.9)e um grupo sem dependência de substâncias (n=39; Midade=38.6 anos,DP=5.6). Utilizou-se uma entrevista semiestruturada, o AUDIT e o BSI. A caracterização do grupo de pais dependentes de substâncias permitiu identificar um conjunto de indicadores que poderão constituir-se como fatores de risco (e.g., níveis de consumo de álcool elevados, existência de doença crónica) ou de proteção (e.g., situação controlada ao nível de consumos de drogas). Acresce, ainda, que os pais com e sem dependência de substâncias distinguem-se na sintomatologia psicopatológica, nomeadamente no índice de sintomas positivos, apresentando o grupo de pais toxicodependentes níveis mais elevados, ainda que o valor médio não atinja o ponto de corte definido como indicador de perturbação emocional. Embora se careça de pesquisa mais aprofundada, os resultados deste estudo têm implicações importantes a considerar na intervenção com pais (homens) dependentes de substâncias.

 

 

 

Bruno Jesus

Enfermeiro no Centro de Respostas Integradas de Coimbra. Mestre em Enfermagem Comunitária e Saúde Pública

 

Resumo - O abuso de álcool origina um conjunto de repercussões negativas a diversos níveis. O desenvolvimento dos Problemas Ligados ao Álcool (PLA ) está relacionado com fatores Indivíduais (psicológicos, fisiológicos, genéticos) mas também do Meio (fenómenos sócioculturais, económicos). A Teoria de Cartwright & Shaw (1978) sublinha a interinfluência destes fatores numa perspetiva sistémica. O enfermeiro especialista em Enfermagem Comunitária assume um profundo entendimento na avaliação multicausal e nos processos de tomada de decisão, nomeadamente no desenvolvimento e consecução de projetos de saúde coletiva com vista à capacitação e empowerment dos intervenientes. (OE, 2010)

Objetivos: Aprofundar a análise da situação saúde/doença (PLA) no contexto da Enfermagem Comunitária (enquadramento teórico da problemática); Desenvolver estratégias de intervenção (planeamento e desenvolvimento de plano de cuidados com base na evidência científica); Criticar o resultado das intervenções (numa perspetiva construtiva para a Enfermagem). 

 

 

António Biason

Licenciatura em Politics and International Relations, University of Kent, Reino Unido.

Mestrando em Direito Internacional e Europeu, Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa

 

 

ResumoEste estudo visa comparar a situação legal da cannabis no ordenamento jurídico norteamericano, holandês e português. A escolha destes ordenamentos recai na particularidade de como cada um deles encara a questão do consumo, venda, tráfico e cultivo desta planta com efeitos psicotrópicos por parte dos seus cidadãos, passando por diversos graus de restrição: desde o “essencialmente legal” no caso da Holanda, à descriminalização no caso português, e à completa ilegalidade, ainda que com importantes exceções, a nível federal nos Estados Unidos da América. Neste sentido, elabora-se uma apreciação de dois sistemas – o holandês e o norte-americano – onde o eventual processo de legalização ou descriminalização está a deparar-se com entraves sui generis, e um sistema – o português – onde a presente descriminalização está a ter sucessos consideráveis e virtualmente pouca, ou mesmo nenhuma, oposição. O estudo incide principalmente nas matérias legislativas ainda em vigor e refere igualmente o contexto geral onde se insere a aplicação legislativa e a respetiva jurisprudência, de modo a analisar o “direito vivo” de cada um destes ordenamentos jurídicos e examinar as pretendidas semelhanças e diferenças.

 


Inserir: por onde começar?

António Pedro Dores

Doutorado em sociologia e docente do Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL). Fundador e animador da Associação Contra a Exclusão pelo Desenvolvimento/ACED. Membro dos corpos sociais de várias outras associações, como a Animar, Opus Gay ou Transparência e Integridade – Associação Cívica. Investigador coordenador do Observatório Europeu das Prisões. Autor de vários livros.

 

Resumo - Convém começar por compreender bem o que é a discriminação, nos planos antropológico e político. Depois compreender bem o que é a finança, para poder estabelecer alguma ponte entre esses fenómenos. Tarefa mais fácil na prática que a nível teórico. Embora este último seja indispensável para sustentar a generalização das acções anti-discriminatórias.

Uma criança foi abandonada algures em África, por ser feiticeira. Escandaliza a notícia. Não é notícia a existência de dois mil milhões, quase um terço da humanidade, que não sabe se comerá no dia seguinte. Tal como para os próximos da criança, também o mundo inteiro prefere imaginar que os famintos fizeram a escolha de viver famintos, por não saberem poupar ou por não quererem trabalhar ou por não terem querido estudar.

A discriminação não está no genes, mas é parte da cultura humana, a todos os níveis. É segredo, em Portugal, que a esmagadora maioria dos presos foi, quando não tinha idade para entrar numa cadeia, criança e/ou jovem em risco sinalizado e, na prática, abandonado. Como é segredo que um terço das crianças passam fome, como relatam as escolas, sem que haja medidas de fundo para impedir comprometer a vida de um terço do pais enquanto essas crianças viverem. “Sempre houve pobres”, não nos alivia a consciência porque antes o processo de discriminação já nos tinha alheado de todas as pessoas em maus lençóis.

Quando, por exemplo, um jornal acusa alguém de ser suspeito de ter cometido um crime, imediatamente o estigma passa a acompanhar essa pessoa e todas as que dela se aproximem. Para se distanciar deste mecanismo de discriminação explorado pelo sistema criminal, a lei prevê – e ninguém se ri – a presunção de inocência dos arguidos enquanto não houver sentença passada em julgado.

Vivemos numa sociedade que imaginamos menos violenta do que as que nos antecederam (Hirschman 1997) e do que as sociedades não civilizadas (Elias 1990), por estar estabelecido um princípio de monopólio da violência legítima controlado pelo Estado, como descreveu Max Weber. Esquecemo-nos de conferir os dados de destruição e de mortes que apontam, objectivamente, no sentido de serem as potências civilizadas as que mais violência directa infligiram em toda a história da humanidade e de verificar, simplesmente, jamais ter existido tanto poder bélico como nos dias de hoje.

O controlo da violência é realizado com a organização de níveis de violência potencialmente inauditos, sob forma de ameaça. Como forma de coacção dirigida para a exploração da natureza e do trabalho humano, cujos resultados são traduzidos em moeda e concentrados a níveis nunca vistos. Como escreveu Malešević (2010), é a diferença de potencial de exercício da violência o primeiro fundamento da organização, isto é da discriminação funcional, utilitária. Os que se coordenam entre si para exercer violência sobre terceiros, fechando-se defensiva ou ofensivamente (Parkin 1979), precisam de criar uma coesão interna capaz de resistir à empatia natural das pessoas com os outros seres humanos e com a natureza em geral. Criam as ideologias discriminatórias, que são quase todas. Religiosas, nacionalistas, políticas, organizativas, tribais, familiares, as próprias linguagens desenvolvidas por este tipo de motivações identitárias indispensáveis à nossa existência, definem o que seja semelhante e diferente de nós, classificando os seres humanos que merecem ou não a nossa simpatia, e tratando por santos ou traidores, filantropos ou cúmplices, os que se afastam da norma imposta.

A finança – vou seguir David Graeber (2011) – é uma construção sobre as discriminações organizativas. Para cunhar moeda foi preciso, previamente, estar estabelecido um poder organizativo suficientemente estável e reconhecível para se poder confiar que estaria sempre disposto a cumprir a sua obrigação de honra a propriedade da moeda. Os mercados, como hoje os conhecemos, foram criados para estabelecer alianças entre os que podem deslocar-se e organizar trocas, sob a égide de um poder central reconhecido por todos: quem tenha a casa da moeda, a banca, isto é, a força para fazer valer o seu valor.

Sim: vivemos numa sociedade fundada nas discriminações, no elitismo e na dissimulação. Num mundo cheio de famintos, de gente adoradora das oportunidades de escapar à fome e, portanto, olhando para cima, na escada social, e ignorando para baixo, a humanidade esmagada por si mesma.

É possível sair deste dilema: ou organizados e violentos, ou pacíficos e famintos?

Nada na história nos aponta uma solução. Nada na história nos impede de acreditar que o impossível se concretiza na prática.

Wilkinson e Pickett (2009) estabeleceram a existência de uma lei de relacionamento entre a violência e as políticas financeiras nos países desenvolvidos, embora não tenham estabelecido os contornos dos mecanismos sociais que sustentam a lei. A lei é simples e é esta: quanto maior a diferença de rendimentos entre pessoas a viver em certo Estado, maior é a probabilidade de ocorrência de problemas sociais, incluindo violência.

Por outro lado, os autores citam o conhecimento anteriormente adquirido sobre como o aumento de rendimentos influi positivamente na felicidade, até certo nível de rendimentos. E como para cima desse rendimento, todos os acréscimos são neutros relativamente à probabilidade de alterar o estado de felicidade de cada um.

Com base nestas informações, fácil será perguntar se não será possível imaginar uma política financeira que assegure a todos os seres humanos o nível de rendimento útil para assegurar a igualdade de oportunidades de experimentar a felicidade.

É possível, sim. O Rendimento Básico Incondicional (RBI), também conhecido por Renda Cidadã, perspectiva uma sociedade sustentável em que a cada pessoa, individualmente, seja atribuído, sem condições, um valor de dinheiro capaz de oferecer condições de vida digna a todos e cada um. Nenhuma ideologia se opõe a este objectivo político. Mas nenhuma está disposta a apoiá-lo. Porque isso iria abalar a firmeza da discriminação social entre trabalhadores e não trabalhadores, para uns, à esquerda, a sua identidade mítica, e para outros, à direita, o modo mais central de discriminação social actualmente em vigor.

 

 

José António Pinto

José António Pinto, 50 anos, licenciado em Serviço Social e mestre em Sociologia pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, pai de duas filhas, membro externo da bolsa  de  formadores   da AEP, cronista do Jornal Publico e da revista Visão,  palhaço em contexto hospitar, funcionário  da junta de Freguesia de Campanhã onde tem desenvolvido nestes contextos territoriais de exclusão  diversas actividades de animação no âmbito do teatro, da fotografia  e do cinema com populações socialmente desfavorecidas. Não usa relógio nem telemóvel mas toca guitarra clássica.

Em 10 de Dezembro de 2013 foi distinguido com a medalha de ouro do premio direitos humanos da Assembleia da Republica. No ano seguinte foi orador no Tedex-Porto. Com regularidade é convidado para intervir em palestras, conferências e debates sobre pobreza e desigualdades sociais.

Em 2016 integra o grupo de trabalho junto do ministério da segurança social como técnico especialista para redigir relatório de recomendações e propostas legislativas no âmbito da protecção social e das medidas de combate à Pobreza.

 

Carlos Caixas

Director da Aldeia de Crianças SOS de Gulpilhares, ( Associação das Aldeias SOS de Portugal, janeiro 1986 a dezembro1989); Docente de Psicologia (Cooperativa de Ensino Superior Artístico Árvore – Porto, outubro 1984 a abril 1990); Técnico de Reinserção Social (IRS-Ministério da Justiça, Lamego, maio1990 a setembro 1993); Psicólogo em regime liberal (outubro 1993 a dezembro 2000); Director Técnico (Artenave Atelier – Associação de solidariedade, novembro 1994 a dezembro 2008); Director Geral (Artenave, de janeiro 2009 a dezembro 2014), psicólogo em regime liberal (consultor Artenave e associação TRANSFER_IOD,Bordeús) desde janeiro 2015.

 

Resumo: - A exclusão profissional é um problema do MERCADO DE TRABALHO. Quer dizer, diz respeito, simultaneamente, ao empregador, ao desempregado e ao intermediário - público ou privado - que se propõe combate-la.

O desafio da inserção profissional só pode ser ganho se mobilizar, conjuntamente, quem emprega, quem quer trabalhar e quem, a querendo de facto promover, a souber mediar!  

 


As Novas Terapêuticas para a Hepatite C e os Benefícios para a População Toxicodependente

Ashley Brown

Consultant Hepatologist at St Mary’s and Hammersmith Hospitals in London, UK. Adjunct Reader in Medicine at Imperial College London. Completed his medical studies at the University of Liverpool, UK and undertook postgraduate training in liver disease at the University of Newcastle-upon-Tyne, UK. Is accredited in both internal medicine and gastroenterology. Has a major research interest in viral hepatitis, and has served as chief investigator or principal investigator on a large number of clinical trials of novel hepatitis therapies. Is a Fellow of the Royal College of Physicians, a committee member of the British Association for the Study of the Liver, and is a former Chairman of the British Viral Hepatitis Group.

  


Intervenções na Dependência Opióide 

Antonio Terán Prieto

Doctor en Medicina y Cirugia por la Universidad de Valladolid. Especialista en Psiquiatría. Master en drogodependencias y sida. Diplomado en dirección hospitalaria. Diplomado en el tratamiento del alcoholismo. Médico Adjunto del  Hospital Psiquiátrico San Juan de Dios de Palencia, (01.05.1985/01.10.1990). Coordinador y Responsable Médico de la Unidad de Desintoxicación y la Comunidad Terapéutica  “San Ricardo Pampuri” del Centro Asistencial San Juan de Dios de Palencia, (01.10.1990/01.03.1993). Coordinador y Responsable Médico del Centro Ambulatorio de Atención a Drogodependientes San Juan de Dios de Palencia, (01.03.1993/actualidad). Profesor Colaborador Honorífico del Departamento de Psicología Médica y Psiquiatría de la Facultad de Medicina de la Universidad de Valladolid. Profesor Escuela Universitaria de Enfermería “Dr. Dacio Crespo” de Palencia, (01.10.2006/30.09.2007). Tutor de Médicos Residentes de Medicina Familiar y Comunitaria (Área de Drogodependencias Centro Asistencial San Juan de Dios). Gerencia de Atención Primaria de Palencia. Tutor y Responsable de formación de Médicos Residentes de Psiquiatría del Hospital Clínico Universitario  de Valladolid y del Hospital Rio Carrión de Palencia (Área de Drogodependencias Centro Asistencial San Juan de Dios de Palencia). Participación en más de ochenta artículos científicos y publicaciones relacionadas con la Psiquiatría, la Salud Mental, las Drogodependencias y el TDAH. Comunicaciones y ponencias en congresos, cursos, seminarios. Participación en más de trescientas actividades relacionadas con las diferentes áreas de la Psiquiatría.

Resumo - Se exponen los perfiles de pacientes adictos a opiáceos atendidos en el CAD “San Juan de Dios” de Palencia en los últimos cinco años que fueron incluidos en Tratamiento con Agonistas Opiáceos: metadona vs buprenorfina/naloxona. Los factores mas importantes implicados en la respuesta eficaz al tratamiento y las implicaciones en la recuperación funcional y la calidad de vida de ambos grupos de pacientes.

 

Maria João Pinheiro

Médica, Medicina Geral e Familiar. Centro de Respostas Integradas de Aveiro.

Carlos Vasconcelos

Médico Psiquiatra. Centro de Respostas Integradas Porto Central

Resumo - Os programas de manutenção opióide com metadona estão implementados em Portugal desde 1977 (quase há 40 anos). Muita coisa se alterou durante estes anos, desde o número de utentes neste programa à rede de administração, que hoje em dia envolve também a rede de cuidados primários. Os utentes aumentaram a sua sobrevida em relação aos anos setenta mas encontram-se mais medicados fruto das suas intercorrências psiquiátricas, médicas e infeciosas. Daqui a importância em compreender melhor os fatores farmacodinâmicos e farmacocinéticos de cada utente assim como o impacto cardíaco da metadona e fármacos associados (nomeadamente nos utentes com QT longo).

 


Afinal, o que é que fazemos com a cannabis!?

Maria Moreira

Mestre em gestão de sistemas de informação, trabalha na área da monitorização das drogas e das toxicodependências desde 1992. Em Portugal, foi responsável pelo Ponto Focal da rede Reitox e Directora do Observatório Nacional de Drogas e Toxicodependências. Trabalha actualmente no Observatório Europeu das Drogas e da Toxicodependência (EMCDDA), onde é responsável pela coordenação da informação sobre investigação nesta área feita a nível Europeu, pelo projecto de gestão da qualidade dos dados e pelo apoio ao Comité Científico do EMCDDA. É membro dos Conselhos Consultivos da European Society for Prevention Research e da European Research Area on Illicit Drugs e do Conselho Editorial Internacional da revista científica Drugs: education, prevention and policy.

ResumoPerspectiva geral da situação e actuais políticas relacionadas com a cannabis na União Europeia; factores contextuais e controvérsias na Europa e no Mundo; questões para investigação futura.

 

Álvaro Pereira

Assistente Graduado Sénior - Medicina Geral e Familiar. Director do CAT de Olhão até 2007. Director da Unidade de Desabituação do Algarve (UDA) desde o início da sua actividade até 2011 (aposentação da FP); médico da UDA desde então.

Félix Carvalho

Licenciado em Ciências Farmacêuticas, Doutorado em Toxicologia e Agregado em Ciências Químicas e Físico-Químicas. Actualmente é Professor Catedrático do Laboratório de Toxicologia da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto. É Secretário-Geral da EUROTOX (Associação dos Toxicologistas Europeus e das Sociedades Europeias de Toxicologia) e pertence ao corpo editorial de várias revistas científicas a nível nacional e internacional. A sua principal área de investigação é a Toxicologia, com um interesse especial na avaliação dos mecanismos de toxicidade de substâncias psicoactivas. Durante os últimos 25 anos foi co-autor de cerca de 260 artigos científicos e capítulos de livros e possui um índice h de 38.


Os meios de comunicação e as adições: rigor científico versus estigma

Sérgio Oliveira

Responsável e criador do suplemento especial Toxicodependência no Jornal o Primeiro de Janeiro, nos finais dos anos 90. Prosseguindo no Jornal o Comércio do Porto com o suplemento mensal Toxico-dependências, num formato diferente e mais abrangente. Actualmente dirige a NewsCoop uma Cooperativa de comunicação e informação que detém o título da Revista Dependências da qual é director.

Hernâni Caniço

Doutorado pela Universidade de Coimbra na Especialidade de Clínica Geral, Medicina Familiar e Comunitária, Chefe de Serviço de Medicina Geral e Familiar em Coimbra, Coordenador na Unidade Curricular de Medicina Geral e Familiar da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, Competência em Gestão dos Serviços de Saúde pela Ordem dos Médicos, Presidente de Saúde em Português – Membro Observador Consultivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa

Mafalda Gameiro

Licenciatura em Comunicação Social – ISCSP UT Lisboa, (10-04-1969)

First Certificate in English- Oxford Institut  

Curso de Alemão - Goethe Institut

Carteira Profissional - 2115

Início atividade profissional na RTP - 1991

Percurso Profissional

1991 – Programa “Jornal de Sábado” e “Jornal de Domingo

1992 – Programa “Bom Dia”

1992 a 1999 – Programa “Telejornal”

1999 – Reportagem diária do Telejornal - “Crónica”

2000 a 2004 – Programa ”Grande Repórter”

2004 – Documentários “Portugal Retrato de Sucesso”

2005 – Programa Em Reportagem

2009 a 2015 – Coordenação do programa de grande reportagem Linha da Frente”

2014 – Subdiretora de informação na RTP

2015 – Coordenação do programa de grande reportagem “Linha da Frente”

Documentários realizados

  • Portugal - Retratos de sucesso

Grandes Reportagens realizadas 

  • Mais de 60 grandes reportagens realizadas sobre temas de integração social; saúde; educação; direitos humanos; criminalidade etc. 

Séries realizadas e coordenadas

  • E depois de abril – série de 23 reportagens sobre os 40 anos do 25 de abril
  • Médias reportagens Telejornal – coordenação de uma série de 200 reportagens temáticas
  • 7 Pecados Mortais - série de sete reportagens sobre comportamentos desviantes

Programas realizados

  • Apresentação programa RTP Informação “Um dia 5 estórias”
  • Apresentação programa “Confesso”

Prémios

  1. Grande Prémio da UNESCO-ACIDI 2009 - “Escola Coragem”
  2. Menção Honrosa - A Família na Comunicação Social 2009 - “A menina da Pena”
  3. Prémio Nacional de Jornalismo 2009 do Parlamento Europeu - “Viver na Escuridão”
  1. Prémio ACIDI 2011 - “Amo-te Gueto”
  1. Prémio Média da rede ex-aequo 2011 - “Finalmente Mulher”
  2. Prémio SPA 2011 - Programa Linha da Frente
  3. Prémio Novartis 2012 - “O mal da mina”
  4. Nomeação FITCS 2012 - “Travessia no Deserto”
  5. Nomeação Prémio Euroekofest, Bulgária -“O mal da mina”
  6. Menção Honrosa Liga Portuguesa contra o cancro 2013 - “No seio de mim”
  7. Prémio de jornalismo ACIDI 2013 - “Seleção de Esperanças”
  8. Prémio de jornalismo “Corações com Coroa”2013 - “Seleção de Esperanças”
  9. Galardão Imprensa 2013 da Liga Portuguesa dos Chineses em Portugal - “Relações - Agridoce”
  10. Prémio SPA 2013 - “Travessia no Deserto”

Menção Honrosa Liga Portuguesa contra o cancro 2014 - “Gene provocador”

  1. Prémio de jornalismo “Corações com Coroa”2014 -“Eu sou assim”
  2. Prémio de Jornalismo Dor 2015 – “Corpo Sentido”
  3. Menção Honrosa Dignitas 2015 – “Corpo Sentido”

Livros publicados

  • “Preciso Viver” – prefácio de António Guterres, Alto-comissário para as Nações Unidas (2006)

“Sonhos que o vento levou”, reedição de “Preciso Viver”, com informação atualizada. (2007)

 


 Conferência

José de Faria Costa

Provedor de Justiça. Professor Catedrático da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra

 


Compreender o percurso das substâncias e os comportamentos aditivos emergentes

Adelino Gonçalves

Arquitecto pelo Departamento de Arquitectura da FCTUC (1994) e Doutor pela Universidade de Coimbra com a defesa da dissertação “Património Urbanístico e Planeamento da Salvaguarda”. A par de actividades de urbanismo, arquitectura e design, tem-se dedicado à investigação sobre políticas urbanas e sobre a integração da reabilitação urbana e da salvaguarda patrimonial no desenvolvimento urbano. Sobre estes temas tem publicado artigos e capítulos em edições nacionais e internacionais, bem como em encontros e seminários.

Resumo - Os territórios urbanos que — mais por conveniência, do que rigor — continuamos a chamar cidade, têm um gene de desenvolvimento inscrito no seu ADN. A sua transformação é uma condição natural da sua existência. Enquanto palco e suporte da vida urbana, a cidade evolui. Se não o fizer, agoniza e perece. Mas não deixa de ser intrigante — e, ao mesmo tempo, estimulante — que nas últimas décadas as cidades tenham ganho um protagonismo sem precedentes nas agendas internacionais sobre o desenvolvimento mundial quando, na verdade, deixámos de saber o que é a cidade. Passámos para o domínio do urbano e vivemos num “mundo urbanizado sem cidades”. Além disso — também nas últimas décadas — a reabilitação ganhou igual protagonismo nos programas de política de ordenamento do território e urbanismo. Assim, cabe pensar qual é o objeto da reabilitação quando a sua dimensão é urbana. Ora, a questão da reabilitação não é tanto o objeto, mas antes os objetivos que a orientam enquanto política pública que visa reforçar a coesão urbana, ou seja, corrigir desequilíbrios (instalados) que têm uma influência estrutural nas dinâmicas desenvolvimento, para que este seja integrado e sustentável. Entendida assim, as suas metodologias aproximam-se das que são defendidas pela OMS na definição de reabilitação enquanto “...uso de todos os meios necessários para reduzir o impacto das situações incapacitantes e permitir que os indivíduos incapacitados a obtenção de uma completa interação social...”. Mais: os grandes objetivos da reabilitação (dita) urbana podem (e devem) incluir a reabilitação de comunidades desfavorecidas e/ou com comportamentos perniciosos, sobretudo quando estas têm uma expressão espacial bem definida no meio urbano. Nestes casos, as perspectivas de desenvolvimento assentam em palavras-chave comuns: integração, participação, envolvimento e coesão.

Miquel González Fernández

Doctor en Antropología social y máster en Criminología y Sociología Jurídica por la Universitat de Barcelona (UB). Máster y licenciado en sociología y antropología social y cultural por la Universitat Autónoma de Barcelona. Ha coordinado la publicación del libro Fabricant l’immigrant (Pagès; 2009) y sobre este mismo tema, ha publicado los capítulos “Immigrants per sempre?” (Els Altres Andalusos. La qüestió nacional, L’Esfera dels llibres, 2005) y “Immigració i associacionisme. De la nostàlgia a la ciutadania” (Els Terrassencs del Segle XX. Editorial Lunkberg, 2005) o artículos como “Treballadors invisibles. Ciutadans il·legals. Una esquerda en la cohesió social de Catalunya” (Idees, 2008). Ha publicado artículos sobre otros temas como el de violencia y nuevas tecnologías (“La violència i -la seva normativizació”.Revista d’estudis de la violència, 2009; Joves, vídeo digital i drogues”. Prevenim.dro. PDS, 2011). Su última etapa de investigación se ha centrado en la violencia simbólica y sistémica con varios artículos sobre la transformación urbanística y la alteración urbana en el barrio del Raval de Barcelona (La invención del espacio público como territorio para la excepción. El caso del Barri Xino de Barcelona”. Crítica Penal y Poder, 2012; “Usos de l‘estigma. El paper de la prostitució en la revalorització urbanística de la illa robador”. Quaderns- e del Institut Català d’Antropología, 2012; “Contra el bé, la civilització i el progrés. Apunts per una epistemologia de la moral relativa a les intervencions urbanístiques al Raval”. Astrolabio: revista internacional de filosofía, 2012, entre otros). Es miembro del GRECS (Grup de Recerca en Exclusió i Control social) y profesor de antropología social en la Universitat de Barcelona.

 

Carlos Cleto

Licenciado em Sociologia das Organizações na Universidade do Minho. Mestre em “Intervenção Sócio Organizacional na Saúde” - Especialização em “Políticas de Administração e Gestão de Serviços de Saúde” pela Escola Superior de Tecnologias da Saúde de Lisboa e pela Universidade de Évora. Atualmente desenvolve atividades de carácter técnico-científico, no âmbito dos Comportamentos Aditivos e Dependências, na área da Intervenção nas áreas das substâncias psicoativas e “novas substâncias psicoativas”, acompanhamento e gestão do Programa Operacional de Respostas Integradas na valência de Redução de Riscos e Minimização de Danos, intervenção em meio laboral e intervenção comunitária

 


Conferência

Catarina Resende Oliveira

Catarina Isabel Neno Resende de Oliveira, natural de Coimbra, licenciou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, em 1970, e obteve o grau de doutor na especialidade de Neurologia, com distinção e louvor, em 1984, na mesma Universidade.

Professora Catedrática e regente da disciplina de Bioquímica desde 1988, na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, foi Presidente do Conselho Cientifico desta Faculdade (2004-2008) e é, no momento actual, Coordenadora do consórcio CNC.IBILI da Universidade de Coimbra e da Unidade para a Inovação e Desenvolvimento (UID) no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC).

O seu principal interesse de investigação situa-se na área do envelhecimento e nas doenças para as quais o envelhecimento é um factor de risco, focado na compreensão dos mecanismos moleculares de neurodegenerescência induzida por peptídeos amiloidogénicos, particularmente no papel da mitocondria na decisão de morte celular e, consequentemente, no processo neurodegenerativo.

Tem coordenado vários projectos científicos sobre: mecanismos de envelhecimento cerebral e demência; resposta celular ao stress oxidativo e seus efeitos nos mecanismos de transdução de sinal, na energética mitocondrial e na relação com a diabetes e as doenças neurodegenerativas.

O seu contributo para a ciência traduz-se em mais de 300publicações em revistas cientificas da especialidade, nacionais e internacionais (H-index 48, nºde citações: 7621, média de citações por artigo: 21,96) e num elevado número de comunicações científicas em congressos e reuniões médicas da especialidade. Este contributo traduz-se pelos resultados obtidos nos estudos bioquímicos, moleculares e genéticos com o intuito de elucidar os  mecanismos  de neurodegenerescência que ocorrem na demência, nomeadamente, na demência por priões e na doença de Alzheimer, e identificar biomarcadores de doença e novos alvos de intervenção terapêutica. Dirige o Laboratório de Neuroquímica no Serviço de Neurologia do CHUC, onde têm sido desenvolvidos os métodos de tensão de biomarcadores para demência, Doença de Parkinson, e Doenças de Priões, sendo este um laboratório de referencia nacional que integra o plano de vigilância epidemiológica de doenças por priões. O trabalho desenvolvido na área de biomarcadores levou à integração nos consórcios europeus para o estudo de biomarcadores destas doenças, nomeadamente o “Joint Programming for Neurodegenerative Diseases” (JPND, ADPD) e DEMTEST para o estudo de doenças por priões.

O seu envolvimento na formação pós-graduada, traduz-se pela orientação de 20 teses de Doutoramento, já concluídas, e 17 teses de Mestrado.

Participou e presidiu em várias comissões na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, tendo estado envolvida nas reformas curriculares desta Escola Médica. Atualmente coordena o Programa de Doutoramento em Ciências da Saúde na Faculdade de Medicina e o Programa Inter-Universitário de Envelhecimento e Doenças Crónicas financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT).

A nível do ensino pré-graduado de Bioquímica implementou estratégias de ensino e aprendizagem baseadas em casos clínicos, promovendo a interação com as áreas clínicas.

Tem uma vasta experiência na organização e liderança de investigação e na avaliação de projetos. Faz avaliação de  projectos para entidades financiadores tais como FCT, Welcome Trust e Alzheimer´s Association, European Reserach Counsil (ERC).

Foi membro e presidiu ao Conselho Científico das Ciências da Saúde e da Vida da FCT.

Foi sub-diretor do Programa Portugal- Harvard Medical School, é membro da Direção do Health Cluster Portugal (HCP), e é membro da European DANA Alliance for the Brain (EDAB).

Foi presidente do Instituto de Investigação Interdisciplinar da Universidade de Coimbra (2003-2005), e do Centro de Neurociências e Biologia Celular (2003-2013).

Foi galardoada, em 2006, com o Prémio “Estimulo à Excelência”, pela Fundação para a Ciência e Tecnologia e em 2008, foi-lhe atribuído o Prémio “Nunes Correa Verdades de Faria”, na área do envelhecimento, pela Santa Casa da Misericordia de Lisboa. Em 2015 foi-lhe atribuída a Ordem da Instrução Pública – Grande Oficial, pelo Presidente da República Portuguesa.

Em 2016 foi-lhe atribuída a Medalha de Ouro da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra.

 


A investigação e a clínica das adições

 

Carlos Valls-Serrano

Graduated in psychology from the University of Jaume I (Spain).  Later I continue my studies in the University of Granada (Spain) where I obtained a master ‘s degree in personality, assessment and psychological treatment and then I developed my doctoral thesis in the field of neuropsychological assessment in polydrug users. During this process I have done a stay in the addiction unit at CHU Brugmann Hospital (Bélgium) and I participated in national and international neuropsychological meetings. My worked is focused on the development of new ecological tools for neuropsychological assessment (concretly in polysubstance users) and new treatment programs, oriented in a functional approach, in order to reduce the distance between experimental and clinical neuropsychologist.

 

Resumo Recent global reports pointed that drug consumption is a major health and social problem worldwide. Around 5.2% of the world population has used at least one illegal substance in the past year, only in European Union 1,3 millions of persons were admit to addiction treatment. Drug-related harms also affect families and social circles but one of the most significant consequences for the individuals are deficits in executive function, which stands out for negatively interfering with the performance o daily activities.

 Recent studies pointed the need to develop new tools that help a better understanding of this problem. There is a growing criticisms about traditional assessment tools due to these tasks have been developed in artificial contexts to test experimental hypotheses, but not for clinical purpose.  In this communication will be exposed recent findings in the development of assessment tools (Multiple Errands Test) that reduce the existing distance between experimental and clinical psychologists. This task is administered in natural environments where participants have to perform daily activities; its structural and psychometric properties will be discussed.

On the other hand, to showing efficacy in treatment outcome and in ameliorating cognitive performance, novel treatment studies need to pinpoint outcome measures that are meaningfully related to activities of daily life. In the communication will be discuss the utility of Goal Management Training program and Mindfulness Meditation for these purposes.

Manuela Grazina

Especializada em Genética Humana, Genética Bioquímica, Neurociências e Farmacogenómica. É Doutorada em Ciências Biomédicas, na área de Genética Bioquímica, com Pós-Graduação em Biomedicina, Mestre em Biologia Celular (especialização em Neurogenética) e Licenciada em Bioquímica (pré- Bolonha), pela Universidade de Coimbra. É Professora Auxiliar na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC), onde leciona desde 1996, com afiliação desde 1997 (Unidades Curriculares Bioquímica, Neurociências e Farmacogenómica). É ainda docente em disciplinas de Genética Humana nas Universidades de Évora (2010-2015) e do Algarve (regime de Cooperação entre Universidades), colaborando ainda com outras Universidades/ Faculdades (Faculdades de Farmácia de Coimbra e de Lisboa, Instituto de Ciências Biomédicas de Abel Salazar – Porto, ITQB). É investigadora do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra (CNC), em ligação estreita com a Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, desde 1992, sendo atualmente responsável por um Grupo, que criou, de Investigação Translacional Reversa em “Bigenómica Mitocondrial e Farmacogenómica”, com foco no estudo de um grupo de doenças raras, as citopatias mitocondriais (“avarias da fábrica da energia celular”) e em doenças neuropsiquiátricas, particularmente dor e toxicodependências, com um foco particular em “Medicina Personalizada”. É a Responsável do Laboratório de Bioquímica Genética (no CNC / FMUC), que fundou, desde Março de 1995, onde estabeleceu uma equipa de trabalho e desenvolveu testes bioquímicos e genéticos como ferramentas para a investigação translacional e diagnóstico, com uma forte componente de Serviços à comunidade, tendo várias colaborações internacionais, em que se destaca o Baylor College of Medicine (Houston, USA), University of Newcastle upon Type (UK), Mitochondrial Biology Unit - Medical Research Council (Cambridge, UK) e CICAB Clinical Research Centre Extremadura University Hospital and Medical School, (Badajoz, Espanha). Integra, por convite, a Comissão Científica da Associação Raríssimas desde 9 de Setembro de 2015. É membro do Conselho Pedagógico da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, eleita em 3 de Junho de 2015. Foi convidada, pelos Coordenadores respetivos, a integrar dois Consórcios de Investigação Internacionais: Rede Ibero-americana de estudos de Farmacogenética e Farmacogenómica (CEIBA.FP RIBEF, Coordenado pelo Prof. Adrián LLerena) desde Fevereiro de 2012; Grupo de estudos dos défices de Coenzima Q10 (Coordenado pelo Doutor Rafael Artuch) desde Junho de 2010.

Tem organizado diversas reuniões científicas, sendo co-autora de 45 publicações “examinadas por peritos”, das quais 4 são capítulos de livros, e de 94 resumos publicados em atas de encontros científicos (maioria indexadas), bem como de 457 comunicações científicas, 285 das quais são posters, 78 conferências por convite e 94 comunicações orais. É responsável pela orientação de 12 teses de Doutoramento (4 terminadas), 36 de Mestrado (34 terminadas) e 21 monografias (todas terminadas).

Refira-se a participação em 19 Projectos de Investigação dos quais é/foi Investigadora Responsável em 7.

Foi a vencedora da Bolsa SPDM 2014, com o projeto "Unveiling intracellular organelle interaction with mitochondria in Leber Hereditary Optic Neuropathy: functional genomics approach". É responsável pela Coordenação e lecionação de 15 Cursos Avançados, incluindo em contexto de programas Doutorais e um dos quais dirigidos a médicos da área das doenças raras. Considerando também a divulgação científica na Comunidade como um dever social, tem desenvolvido diversas atividades e tem proferido palestras/seminários (73 até ao momento) no âmbito da Comunicação de Ciência, em vários locais públicos, Escolas, Hospitais, Associações de Doentes, bem como tem ainda escrito artigos na imprensa Nacional com o objetivo de divulgar a Ciência ao Público. Em 2005, iniciou um projeto individual de voluntariado, que consiste em levar a Ciência à Escola para prevenção da toxicodependência, cujo objetivo é a promoção da responsabilidade individual na escolha para a recusa da primeira experiência de contacto com as drogas, como forma eficaz e informada de prevenir os efeitos nefastos e lesivos das drogas de abuso e álcool. Exerce funções (não remuneradas) como Comentadora, por convite, no programa Alvorada, da RUC, na qualidade de Especialista na área da Saúde, enquanto Docente da FMUC e Investigadora/ Responsável do LBG do CNC, desde 14 de Janeiro de 2015. Desde Junho de 2013, estabeleceu uma parceria com o Gabinete de comunicação de Ciência do CNC no sentido de estabelecer uma colaboração para a concretização de ações, nomeadamente de desenvolvimento de estratégias de comunicação de ciência e idealização dos projetos, cujo objetivo tem sido a angariação de fundos que permitam obter financiamento da sociedade para o diagnóstico e investigação, especialmente das citopatias mitocondriais em que o LBG é uma referência nacional, incluindo a organização de concertos solidários, bem como a coordenação de uma campanha de recolha de fundos através da plataforma PPL crowdfunding que permitiu a compra do equipamento Qubit 3.0. Foi Diretora de Qualidade do CNC (Junho de 2006 a Março de 2015), com formação na área, incluindo em Auditorias (Norma NP EN ISO 19011), tendo sido responsável pela certificação (Norma NP EN ISO 9001) e sua manutenção em 4 Laboratórios. Em Janeiro de 2013 recebeu a medalha de Ouro da Câmara Municipal de Vila Nova de Poiares. No dia 31-12-2013, foi eleita Figura do Ano 2013, pelo Jornal Campeão das Províncias (Coimbra).

Em Fevereiro de 2014, na Gala Asclepius NEMAAC 2014, foi eleita “Melhor Docente” da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra para o ano de 2013, tendo sido nomeada de 2013 a 2015 como um dos 3 melhores docentes da FMUC. Em 23 anos de atividade científica e em 18 anos de atividade docente, nas áreas da Bioquímica, Genética Humana e Neurociências, tem colocado as suas competências ao Serviço do Ensino, bem como na promoção da Qualidade do mesmo, acreditando sempre que a instrução de base é a melhor ferramenta e o melhor indicador para o desenvolvimento, e ainda um fator essencial na preparação de melhores profissionais.

 

 

 


Identidade clínica nos comportamentos aditivos

Indalecio Carrera Machado

Médico Especialista en Psiquiatría. Doctor en Medicina y Cirugía, por el área de Psiquiatría con la Tesis Doctoral: "Consumo de Alcohol y Conducta de Enfermedad en Galicia", calificación Apto Cum Laude por unanimidad (1991). Magister en drogodependencias. Master de gestión clínica en psiquiatría. Master en economia y gestión de la salud.

Profesor colaborador del Departamento de Psiquiatría de la Facultad de Medicina de la Universidad de Santiago: Psiquiatría y Psicología Médica en la Facultada de Medicina de la Universidad de Santiago, desde el curso académico de 1983-84 hasta 1992. Tutor clínico del curso de Rotatorio de la Lic. de Medicina y Cirugía y Médicos Internos Residentes. Programador docente de la fundación pública da escola galega de administración sanitaria (FEGAS): responsable del área de formación-investigación del Plan de Galicia sobre Drogas de la Subdirección Xeral de Saúde Mental e Drogodependencias-SERGAS, Consellería de Sanidade (1994-2009). Profesor Asociado del Departamento de Psiquiatría de la Facultad de Medicina de la Universidad de Santiago: desde 2009 hasta la actualidad

Miembro del Grupo de Prevención de Drogodependencias del Departamento de Psiquiatría del Hospital General de Galicia y de las Unidades Asistenciales de Drogodependencias de Santiago y Coruña.

Medico Psiquiatra de la Unidad Asistencial de Drogodependencias de la Coruña , desde 1992 hasta 1994 y desde 2009 hasta la actualidad, ejerciendo funciones clínico-asistenciales como Jefe de Sección de Psiquiatría, de docencia, de prevención y de Coordinador del área de investigación.

Desde julio de 1994 hasta 2009, ha ocupado el puesto de Jefe del Servicio de Asistencia, Formación e Investigación del Comisionado del Plan de Galicia sobre Drogas de la Consellería de Sanidade e Servicios Sociais y posteriormente, de la Subdirección Xeral de Saúde Mental e Drogodependencias so SERGAS, cuyas funciones se sintetizan en los siguientes apartados: Gestión de la red asistencial del Plan de Galicia sobre Drogas, compuesta por 50 dispositivos (incluyendo régimen ambulatorio, de media y larga estancia), con el establecimiento de protocolos de actividad-financiación, donde se definen los compromisos asistenciales anuales para mejora de la calidad asistencial e implantación de “éstandards” del modelo de excelencia europeo “EFQM”.

Director Técnico del Observatorio de Galicia sobre Drogas, que gestiona el Sistema de Indicadores Sociosanitarios del Plan de Galicia sobre Drogas, compuesto por un conjunto de indicadores para el análisis de la problemática relacionada con el fenómeno de las drogas en Galicia y que abarca las siguientes áreas: epidemiológica, asistencial, análisis de costes, prevención-incorporación social y jurídico-penal.

Elaboración de distintos documentos técnicos (planes de drogas, ley de drogas, catálogo de programas asistenciales, etc) e informes sobre diversos aspectos de la problemática de las drogodependencias y problemáticas asociadas.

Planificación y organización de actividades de formación-investigación en el área de las drogodependencias y problemáticas asociadas y participación en proyectos de investigación y en actividades docentes.

Becas de Investigación: En colaboración con EMPRESAS-UNIVERSIDAD: a).- "Investigación epidemiológica, diagnóstico, asistencia y prevención del alcoholismo en la empresa", durante 1983-1984; b).- “Investigación epidemiológica, diagnóstico precoz, asistencia y promoción de la Salud en la empresa", durante 1985-1986; c) "Perspectiva de los usuarios de las terapias de sustitución con opiáceos en la red gallega de adicciones", durante 2012-13. En colaboración con XUNTA-UNIVERSIDAD: a).- "Campaña piloto de prevención y asistencia de drogodependencias y problemáticas asociadas en el Instituto Nacional de Bachillerato Eduardo Pondal-Santiago", durante 1987-88; c).- “Plan piloto de formación en drogodependencias y problemáticas asociadas para los profesionales de los Equipos de Atención Primaria", durante 1989-90. En colaboración con MINISTERIO DE EDUCACIÓN Y CIENCIA: BECARIO DEL PROGRAMA SECTORIAL DE FORMACIÓN DE PROFESORADO Y PERSONAL INVESTIGADOR DEL MINISTERIO DE EDUCACIÓN Y CIENCIA, ejerciendo sus funciones de investigación, docencia y clínico-asistenciales en el Dpto. de Psiquiatría de la Fac. de Medicina de la Univ. de Santiago, durante el período 1988-1991. Se le adscribió al proyecto de investigación “Epidemiología Psiquiátrica en la comunidad gallega”, investigación de la que derivó su tesis doctoral.

Premios de Investigación:

"PREMIO DE INVESTIGACIÓN EN DROGODEPENDENCIAS-XUNTA DE GALICIA", convocatoria de 1987, con el trabajo: "Manual de educación preventiva sobre drogodependencias. Exposición para educadores", dirigido por el que suscribe, obteniendo la Mención Especial de dicho premio.

"PREMIO DE INVESTIGACIÓN MARCOS ORTEGA MERA-FUNDACIÓN PAIDEIA", convocatoria de 1989, con el trabajo: "Alcoholismo y enfermedad psíquica en Galicia. Hacia un significado clínico de los índices epidemiológicos de riesgo", dirigido por el Prof. Dr. R. Mateos Alvarez, habiendo participado en calidad de investigador principal y obteniendo el 1º premio "ex-aequo".

"PREMIO DE INVESTIGACIÓN EN DROGODEPENDENCIAS-XUNTA DE GALICIA", convocatoria de 1990, con el trabajo: "Drogodependencias y Atención Primaria de Salud", dirigido por el que suscribe y obteniendo el 1º premio.

"PREMIO DE INVESTIGACIÓN I.N.E.S.I.B.A.", convocatoria de 1992, con el trabajo: "Consumo de alcohol y psicopatología en Galicia", dirigido por los Profs. A. Rodríguez López y R. Mateos Álvarez, participando en calidad de investigador principal, obteniendo la Mención Especial de dicho premio.

"PREMIO DE INVESTIGACIÓN EN DROGODEPENDENCIAS-XUNTA DE GALICIA", convocatoria de 1993, con el trabajo: "“La técnica de prevención de recaídas en el campo de las conductas adictivas. Resultados de una experiencia de grupo aplicada en el área de alcoholismo y drogodependencias en Galicia”, participando en la codirección de este proyecto juntamente con la Profª. Drª. A. Lorenzo, obteniendo el 1º Premio ex-aequo.

PREMIOS DE INVESTIGACIÓN “MARCOS ORTEGA MERA”, convocatoria de 1995, con el trabajo “La integración social ... ¿Posible? Estudio de evaluación clínico-social y aspectos éticos de una experiencia de integración social con drogodependientes en Galicia”, obteniendo un Accésit.

PREMIO A LA MEJOR COMUNICACIÓN-PÓSTER DE LAS XXIII JORNADAS NACIONALES DE SOCIDROGALCOHOL, celebradas en Oviedo en 1996, con el trabajo “Estudio preliminar sobre la incidencia y valor pronóstico del codiagnóstico psiquiátrico en usuarios de una comunidad terapéutica”, obteniendo el 1º Premio.

PREMIOS DE INVESTIGACIÓN DE EXCMA. DIPUTACIÓN DE PONTEVEDRA: convocatoria de 2000, con el trabajo “Adherencia al tratamiento antirretroviral en una población de pacientes infectados por el VIH-1 en la provincia de Pontevedra”, obteniendo el “Premio Prov. de Pontevedra”.

PREMIOS DE INVESTIGACIÓN DE LA REAL ACADEMIA DE MEDICINA Y CIRUGÍA DE GALICIA: convocatoria de 2000, con el trabajo “La calidad de vida relacionada con la salud en pacientes infectados por el VIH, sometidos a tratamiento antirretroviral”, obteniendo el “PREMIO CLAUDIO SAN MARTÍN DE LA FUNDACIÓN CAIXA GALICIA”.

PREMIO A LA MEJOR COMUNICACIÓN-PÓSTER DEL II CONGESO LUSO-GALAICO DE DROGODEPENDENCIAS, celebradas en Porto-Portugal, en noviembre de 2005, con los trabajos “Estudio sobre la efectividad de los tratamientos con metadona en la red del PGD-12 meses de seguimiento”, obteniendo el 1º premio y “Estudio sobre las necesidades de los drogodependientes en situación de emergencia social, obteniendo el 2º premio ex-aequo.

PREMIO A LA MEJOR COMUNICACIÓN-PÓSTER DEL V CONGESO LUSO-GALAICO DE DROGODEPENDENCIAS, celebradas en Porto-Portugal, en junio de 2008, con los trabajos “Estudio sobre la efectividad de los tratamientos con metadona en la red del PGD-24 meses de seguimiento”, obteniendo el 1º premio.

Es autor/coautor de numerosas publicaciones relacionadas con distintos temas del campo de las drogodependencias, salud mental y otras patologías asociadas: autor/coautor en más de 20 publicaciones nacionales e internacionales y en más de 120 aportaciones (ponencias, comunicaciones y pósters) a congresos y otro tipo de reuniones científicas de ámbito autonómico, nacional e internacional.

Miembro de la "Comisión Asesora en Prevención de Drogodependencias" de la Xunta de Galicia

Miembro del "Comité de Expertos para la Elaboración do Anteproxecto de Lei en materia de Drogodependencias" de la Xunta de Galicia

Miembro del "Grupo de Trabajo sobre el Sistema Estatal de Información en Toxicomanías” de la Delegación del Gobierno del Plan Nacional sobre Drogas

Miembro de los Comités Técnicos de la Delegación del Gobierno del Plan Nacional sobre Drogas para las áreas de “Asistencia” e de “Sistemas de Información”

Miembro del "Grupo de Expertos en Reducción de la Demanda de la Conferencia Internacional contra el Abuso de Drogas de la Organización de Estados Americanos (CICAD-OEA)”

Director Técnico del Observatorio de Galicia sobre Drogas

Miembro de la Comisión Sectorial de Sanidad y Servicios Sociales de la Comunidad de Trabajo Galicia-Norte de Portugal (planificación, elaboración y gestión de proyectos de cooperación transfronterizos en las áreas de adicciones y salud mental)

Miembro del Grupo de trabajo de la OPS para Red regional de patología dual (OMS)

Miembro del Grupo Luso-galaico de Investigación sobre Adicciones y problemáticas relacionadas.

Vocal por Galicia de la Junta Directiva de la Sociedad Española de Patología Dual.

 

Resumo - El trastorno por déficit de atención e hiperactividad (TDAH) es un trastorno del neurodesarrollo de base biológica, vinculado a disfunciones ejecutivas relacionadas con el autocontrol y la metacognición, de inicio en la infancia y que hasta hace bien poco, se consideraba que se resolvía en la juventud, con nula repercusión en la vida adulta.

Pero a la luz de la evidencia actualmente disponible, se ha constatado que persiste en cerca de dos tercios de los casos y con deterioro clínico y psicológico, afectando a la funcionalidad del individuo en distintos ámbitos: social,parental, conyugal, académico, laboral, siniestrabilidad y de criminalidad.

Una de las características clínicas del TDAH en el adulto es la presencia de una alta comorbilidad psiquiátrica asociada, destacando el campo de las adicciones, lo cual contribuye a la marginalización de estos enfermos, además de dificultar el diagnóstico y tratamiento de esta grave patología.

En la etapa adulta, no sólo persisten sino que también se pueden agravar los síntomas y problemas de adaptación psicosocial del enfermo TDAH, disminuyendo su calidad de vida (y la de su entorno sociofamiliar), lo que además dedificultar su diagnóstico y tratamiento, genera un elevado coste socioeconómico y sanitario.

En definitiva, al ser el TDAH una condición de por vida de inicio en la infancia, el pronóstico a largo plazo de un TDAH no tratado es bastante sombrío, por lo que todas lasrecomendaciones y directrices clínicas actuales, recomiendan tratar 

  

 

Maria Angeles Gómez Martinez

Es profesora Encargada de Cátedra de la Universidad Pontifica de Salamanca donde imparte diversas materias relacionadas con la Evaluación e Intervención psicológicas. Es Especialista en Psicología Clínica y posee los Certificados  Europeos emitidos por la European Federation of Psychologists’ Association , Europsy Básico y Europsy Especialista en Psicoterapia. Posee más de 40 publicaciones y contribuciones a congresos de ámbito nacional e internacional, algunas de las cuales están indexadas en JCR y SCOPUS. Forma parte de diversas sociedades científicas: Sociedad Española de Psicología Clínica y de la Salud (SEPCyS), Asociación Española para el Estudio de Los Trastornos de la Conducta Alimentaria (AEETCA), The Academy of Eating Disorders (AED), así como del comité científico de la revista internacional Frontiers in Public Heatlh. Ha participado a su vez en actividades divulgativas relacionadas con la psicología en colaboración con Onda Cero Radio.

 

Resumo - Análisis de la relación de los mecanismos relacionados  con el craving en adicciones, presentes en comportamientos característicos de los trastornos de la conducta alimentaria, especialmente en la bulimia nerviosa; similitudes y diferencias de ambas patologías y se abordará el papel de la impulsividad y los trastornos de la personalidad como factores predisponentes y moduladores.

 

João Relvas

Professor de Psicologia Médica e de Psiquiatria e Saúde Mental da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (aposentado).

Chefe de Serviço da Clínica Psiquiátrica do Centro Hospitalar Universitário de Coimbra (aposentado).

Antigo Presidente da Direcção da Associação Portuguesa de Psiquiatria Biológica

Antigo Vice-presidente da Direcção da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental

 


CURSOS PRÉ-CONGRESSO

Manuela Fraga

Médica Psiquiatra. Centro de Respostas Integradas de Coimbra

Paula Carriço

Médica Psiquiatra. Centro de Respostas Integradas de Coimbra

Elisabete Santos

Pediatra. Centro Hospitalar Tondela Viseu, EPE

Fátima Pessoa

Enfermeira. Centro de Respostas Integradas Porto Central

Mari José Alvarez

Enfermeira. Unidad Assistencial de Drogodependencias. CEDRO. Vigo


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